terça-feira, 4 de junho de 2019

Prosa pra cunhada lê

Em uma sala cheia, todos sentados
Não havia ninguém de pé
Metade bicho pencudo,
Outra parte bicho cabeludo
Sem vulnerável no ambiente
Só havia homem e mulher

Distintos apostos sentados
Sem no mínimo se relacionar 
Imagine em um quarto fechado
O alvoroço que ia dar
Se todos em comum acordo
Resolvesse se manifestar

Na sala ao lado o enfermeiro
Na mão uma seringa enorme
A paciente bumbum de fora
Ficava no faz que dorme
Parecendo envergonhada
Por estar sem uniforme

Em outra situação
Com uma seringa diferente
Seria outra a reação
Da candidata paciente
Ficaria mais a vontade
Se não tivesse tanta gente

************

Em outro ambiente próprio
Do tratamento ocular
Um jovem abriu o olho
Pro profissional reparar
O assento quase afunda
De tanto ele mexer a bunda
Na hora de examinar.

Fiz esses versos de repente
sentado esperando a vez
do tratamento ocular
que já faço a mais de mês
De repente lembrei do nada
Vou mandar tudo pra a cunhada,
Foi o cunhado que fez.

Essa cunhada é gente boa
Eu aqui ela por lá
Um dos defeitos dela
é que gosta de falar
De maneira informal
Eu vou te quebrar no pau
E não tem pau para quebrar

A cunhada é uma graça
De pensamento ilário
De Janeiro a dezembro
Vive fazendo aniversário
Tem história que não acaba
E cresceu comendo piaba
Lá do Rio de Rosário

Há demandas em sufrágio
A própria história é que diz
Vive em constante luta
Pra fazer seu preto feliz
Mas Pode perguntar ao vigário
Quando ela vai à Rosário
Não sai de cima da Biz

Interessante na história
De um jeito particular
Quando marcou com meu irmão
Somente para conversar
Mais não resistindo ao preto
De acordo deu logo um jeito
E começou logo a namorar

Ela é gentil e amigável
Isto bem que dar pra ver
É ciumenta que dói
Logo dar pra perceber
É só um pouco sigilosa
Também muito curiosa
De tudo ela quer saber

Gosta de jogar um verde
Como quem vive a sondar
Faz cada pergunta boba
Com intenção de investigar
Outro dia veio com calma
Perguntar se sobre a "alma"
Eu saberia lhe falar

Fiquei deveras atrapaiado
Sem saber o que falar
Desdobrei de imediato
-Eu nunca ouvi comentar
Falei alguém me socorre
E alma é depois que morre
Quando termina de enterrar

Queria tanto ela saber
De maneira informal
Onde morava a fulana
Uma tal ex de seu nerval
Falei logo de antemão
Com esse nome então
Já começo a passar mal.

Depois voltou a perguntar
De outra ex do meu, patrão
Querendo o nome direito
Pra fazer a lista então.
Fiquei logo desconfiado
Preferi ficar calado
Pra não estragar a relação.

Quando falei que eu ia pedir
pro meu irmão trocar a cunhada
ela chegou a regredir
e ficou muito agoniada
E disse tudo tá desfeito
Fico de bem com o meu preto
Não quero mais saber de nada.

Ainda falou: que só se fosse
Pra ele arranjar outra irmã
Pra andar chorando atrás
A Noite a tarde e de manhã
Completando ainda disse
Pra ficar pegando chifre
Só no cheiro da maçã

Falei então não era a prima
Que causava o sofrimento
Era "um negócio que ela tinha"
O motivo do tal tormento
Ela falou pelo que tô vendo
Era só pelo fedeno
Ou chifre sem racionamento.

Expliquei de todo jeito
Falei que tudo, era amizade
Na versão botou defeito
Duvidou da minha verdade
Não entendeu, nem botou fé
Que "Prima" não é "Muier"
É só uma adversidade.

Outro dia ligou chorosa
No desespero perguntando
quem era a suposta moça
Que o patrão tava pegando
Falei problemas não me arrume
Deixe de tanto ciúme
Senão acaba separando

Disse ainda na resposta
Sem causar qualquer alvoroço
O patrão por onde anda
Só fala nesse *caroço*
E falei sem piscar o olho
O homem virou ferrolho
Não vira mais o pescoço.

Aposto com quem quiser
Que não arranja outra muié
Enquanto tiver o caroço
É só isso que ele quer
A não ser que a cunhada
Com ele não queira nada
E nisso não boto fé.

Só não vou escrever mais
Sobre a celebridade
Porque pra fazer isso direito
Tenho que ir na sua cidade
E perguntar para as pessoas
Se ela é mesmo gente boa
Pra mostrar toda verdade.


De certo é que a cunhada
É uma pessoa maravilhosa
Dizendo ainda meu irmão
Que ela é muito caprichosa
Gosta de bater um feijão
Só come no bandejao
Em quantidade volumosa

Pra começar come de tudo
Peixe galinha camarão
Arroz quiabo e maxixe
Salada soja e feijão
Mas na verdade o que lhe agrada
São os calabanjos e as piabas
Do Itapecuru do Maranhão





Dizem que sou um poeteiro
Ruim tosco e meia boca
Amador do cordel pop
Da profissão não visto a roupa
Mas minha escrita é original.
Sei até fazer jornal.
A oportunidade é que é pouca

Se poeteiro é quem faz versos
Mesmo sem ser profissional
Tem a letra como hobby
Escrevendo bem ou mal.
Sem desfazer do próprio amor
Pois é isso que eu sou
Um poeta ocasional.

Gente sem discernimento
Ou portador do tal cinismo
Que não tem conhecimento
E foge do realismo.
É quem confunde poeteiro
Com cabra livre e solteiro
Que pratica Onanismo

Por isso faço meus versos
Da maneira mais correta
Buscando sempre a eficiência
Tô atingindo minha meta
Pois ser um ótimo poeteiro.
É o caminho certeiro.
Pra ser um grande poeta.







Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prosa pra cunhada lê

Em uma sala cheia, todos sentados Não havia ninguém de pé Metade bicho pencudo, Outra parte bicho cabeludo Sem vulnerável no ambiente ...